quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sem ritmo, rima e fim

Havia tanta coisa que eu precisava lembrar...

Era o aniversário de dois anos da minha irmã, era o presente dela
Era a corda para amarrar a cadela, era a corda do balanço
Era aparar a grama, o ganso e era desenhar umas coisas
E de vez em quando, ainda me lembrar do horário do desenho animado

Era a redação da escola e jogar bola
Era fazer fogueira (pra ver se cola) e beijar na boca
Era comer bobagem e levar uma bronca ou outra
E de vez em quando, me preocupar em passar pra uma próxima fase de um jogo complicado

Era uma nova lição e era uma prova
Era uma ova e uma briga com a professora
Era meio rebeldia, era lutar contra a fonte repressora
E de vez em quando, uma letra de protesto a favor de um qualquer coitado

Era o conhecimento da sorte, era também a morte
Era ter que provar que era forte e era o trabalho
Era um chocalho velho e uma banda e era um sonho distante de entrar na faculdade
E de vez em quando fazer sexo pra aprender, sem estar preocupado

E era o trabalho, era um pouco de reconhecimento
E era o conhecimento, era estar na faculdade
Era largar um curso (tudo bem nessa idade), e era ir em festas e mais festas
E de vez em quando, uma briga com a namorada e ficar sofrendo sozinho, calado

E era morar sozinho e era ficar entre amigos
Era a falta de rima, era o cansaço
Era a correria, era um pedaço
E de vez em quando escrever um bocado

Há tanta coisa que eu preciso fazer...

3 comentários:

  1. Começamos por:

    "Havia tanta coisa que eu precisava lembrar...

    E terminamos por:

    "Há tanta coisa que eu preciso fazer... "

    Entre esses espaços temos a descrição de uma vida e suas rotinas, suas aventuras, o caminhar das coisas que parecem correr por si só e como elas vão se transformando no decorrer do tempo e nunca acabam.

    A sensação das coisas que "precisava lembrar" e das que realmente "preciso fazer" é a chave infinita da verdadeira contradição que nos (ou me!) alimenta cotidianamente.

    Adoro ler seus textos de uma forma egoista: pq é como sentir minha persona sendo narrada. Fico viajando (percebe-se!!srsrs) e faz bem!
    Obrigada!

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  2. Sem rítmo? Mas tem uma bela levada!

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  3. muito legal, Alê! acho q eu também parei na última estrofe.. morar sozinho, ficar entre amigos e que se dane a rima.

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