- Alô.
- Alô. Boa noite. Aqui quem fala é Alberto. Nós estamos com uma promoção cultural hoje completamente imperdível!
- Uma promoção cultural imperdível é de fuder...
- Mas tenha calma meu caro amigo. Nós sorteamos o número do senhor...
- Sorteou meu número da onde, corno?
- É que consta em nossos sistemas...
- Consta no sistema é o caralho!
- Mas meu senhor, eu posso dizer ao menos a que vim?
- Diz.
- Vim trazer ao senhor informação e entretenimento em um preço que o senhor nunca irá encontrar em lugar nenhum!
- Só se for uma puta fofoqueira pra me chamar atenção, filho de uma puta!
- Meu senhor, é muito melhor que isso!
- Você não tá me entendendo mesmo. São oito da noite de um sábado. É a única coisa que me interessaria!
- Mas meu senhor, é uma revista incrível!
- Que revista o que rapaz...
- Meu senhor, você pode ler e conhecer o mundo!
- Isso eu faço pela TV.
- TV emburrece, meu senhor.
- Emburrece a senhora sua mãe, seu imbecil.
- Mas essa revista está por um preço ótimo!
- Pagar pra ler?Vai tomas no meio do seu cú!
- O senhor já está me xingando há um tempinho. Não sei se notou, mas estou tentando salvar o seu cérebro!
- Amigo, você é que tá querendo fuder minha noite.
- Meu senhor, por Deus. Essa porra dessa revista é meu ganha pão, seu Filho da Puta. Se o senhor não comprar essa merda eu tô fudido! Só de grana pra puta da minha esposa, eu tô devendo até o rabo! Agora me diz, seu merda: Você vai ou não querer essa porra!?
- ...
- Fala seu puto!
- Tem muita informação mesmo?
- Tem.
- É realmente boa?
- É.
- Vai me deixar mais inteligente?
- Sim.
- Enfia no cú.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O grito
Do auto de um galho um menino olhava a cena apavorado. Subiu ao notar os gritos que vinham em sua direção. Sem nem notar estava lá no alto. O grito era ouvido de dois animais pequenos, e ele não conseguia identificá-los. Pareciam com formigas. Mas eram tão altos os gritos e era tão alto onde estava, que de lá todo mundo parecia mesmo formiga, mas os gritos não. Subiu no topo de uma ávore cheia de troncos, com raízes pra fora da terra, raízes enromes. Subiu quase em um pulo e não parava de subir. Os gritos a cada minuto aumentavam. Ele se lembrou de que gritos menos audíveis significavam maior distância da emissão do som e não o contrário. Olhou de esgueira para baixo e viu que as formigas (ou ao menos as que pareciam com umas bem pretinhas e antenudas) e notou que elas o seguiam. Os gritos aumentando eram quase entendidos pelo menino, que acelerava o passo, a escalada. A árvore parecia não ter fim. Cansou. Bem no momento em que a árvore acabou. As formigas continuaram vindo. Eram mesmo formigas. Balançou o galho onde estavam as formigas. Eram pequenas e indefesas, agora voando sem controle, caindo para cada vez mais perto do chão. O menino estava lá no alto satisfeito em ter derrubado as formigas. Estava com medo. Ele era maior. Podia muito bem fazer o que quisesse com aqueles serezinhos. Ah! mas como era bom ser grande. Foi um herói dele mesmo. Como era bom se defender agilmente escalando tão velozmente aquela grande árvore. Olhava as coisas lá do alto. Era ser humano. Controlava a natureza inteira.
Lá do alto só não eram audíveis os gritos de socorro emitidos pelas pequenas criaturas.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Coisas
Seguindo meu padrão "fim de ano", a correria me deixou distante daqui.
Então listo rapidamente como estou.
As coisas vão indo bem. As coisas andam bagunçadas. As coisas andam se encaminhando. As coisas andam meio atrapalhadas. Tive um semestre muito bom. Um ano muito bom. E uma vida, até agora, muito boa. As coisas andam meio coisadas. As coisas andam como devem andar. Sampa, aqui vou eu!
Então listo rapidamente como estou.
As coisas vão indo bem. As coisas andam bagunçadas. As coisas andam se encaminhando. As coisas andam meio atrapalhadas. Tive um semestre muito bom. Um ano muito bom. E uma vida, até agora, muito boa. As coisas andam meio coisadas. As coisas andam como devem andar. Sampa, aqui vou eu!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Não escrevo
Estou escrevendo menos. E há um bom motivo para isso. Acho que tem haver com a minha vida estar melhor. Daí tenho menos tempo para me preocupar em escrever. Ou talvez seja a faculdade. Estudar Letras me faz conhecer os grandes, me faz ver o quanto sou pequeno. Sem contar, é claro, com a falta de critério claro pra dizer o que é bom. Pois ficar a mercê disso assusta. Mas também não estou fazendo muitos exercícios físicos ultimamente. Sedentarismo demais cansa. Também há o fato de não querer. Tentar demais enjôa.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Do amor que tenho
Acho que estávamos deitados. Os corpos pareciam flutuar, mas é quase certo que estavam repousados lado a lado. Eram mentes interligadas e acho que estávamos sorrindo. Lembro que talvez pudéssemos estar pensando, inclusive a mesma coisa. Pensamentos sobre futuro, talvez. Ao olhar nos seus olhos lembro de ter visto algo que não sei. Traduzo aqui sem detalhes, pois seria impossível relembrar em palavras o que minha mente sonha em "flash's" surreais. Mas posso afirmar que tinha um pouco de serenidade, talvez esperança e muita fé. Acho que a fé pode ser mais fiel ao que tento expressar. Algo quase divinizado mesmo, sabe? Os olhos piscantes, lentos, fundos, aspecto calmo. Algo que acalma e traz um "sentir bem".
Acho que estávamos sentados. As imagens passavam velozes na janela ou o tempo parou? Tinha um pouco de chuva na minha cabeça. Acho que sentados não lembramos que tinham outras pessoas do lado. Acho que estava feliz. Acho que ela também. Tem algo de lábios que se tocam e pronunciam grudados palavras entendidas por movimento. Há algo de distante da realidade, de novo. Acho que alguém não estava tão feliz. Tinha algo de abraços, talvez um pouco de tensão, preocupação ou falta dela, tinha um pouco de lembranças, traumas, havia uma esperança meio morta, mas distante. Havia mais. Muito mais mesmo e eram as coisas mais belas. Havia promessas, isso era lindo, sem contar as resoluções, conversas maduras. "O corpo, minha querida, se perde. A essência tem que ser o eterno elixir do par".
Acho que poderíamos estar de pé. Daí o abraço escondido atrás do caminhão ou tinha algo de sorriso e algo de bebedeira. Tinha alegria no esconderijo, tinha risada. Lembro que também havia algo de dança, algo de belo, belos trajes, um olhar apaixonado distante. De perto. Muitas pessoas ao lado, mas lembro que só tinha uma. Lembro dos corpos se aproximarem e lembro das belezas internas que, se não onisciente, via nos sinais tamanha intensidade.
As coisas se misturam. Não há uma lógica. E nem era mesmo pra ter. Confesse! Você leitor, se não amou, então não entenderá. Não mesmo. A temporalidade presente nesses dias se perde. Não há mais tempo.
Afinal, do que eu me lembro mesmo, era da menina que disse que amava cada pedaço de mim. Acordar sozinho pode ser duro, mas logo não será assim. Um "Eu te amo" pode ter várias interpretações. As palavras valem muito. Mas pra que dizê-las? Amo essa menina como a mim mesmo. Amo tanto que sinto o frio na barriga das crianças. E porque seria diferente? Afinal, quando alguém resgata sua essência, respeitando as diferenças, há algo de felicidade escondido em algum lugar.
Lembro só do abraço. Da frase no ouvido. Do amor quebrando minhas maldições.
Acho que estávamos sentados. As imagens passavam velozes na janela ou o tempo parou? Tinha um pouco de chuva na minha cabeça. Acho que sentados não lembramos que tinham outras pessoas do lado. Acho que estava feliz. Acho que ela também. Tem algo de lábios que se tocam e pronunciam grudados palavras entendidas por movimento. Há algo de distante da realidade, de novo. Acho que alguém não estava tão feliz. Tinha algo de abraços, talvez um pouco de tensão, preocupação ou falta dela, tinha um pouco de lembranças, traumas, havia uma esperança meio morta, mas distante. Havia mais. Muito mais mesmo e eram as coisas mais belas. Havia promessas, isso era lindo, sem contar as resoluções, conversas maduras. "O corpo, minha querida, se perde. A essência tem que ser o eterno elixir do par".
Acho que poderíamos estar de pé. Daí o abraço escondido atrás do caminhão ou tinha algo de sorriso e algo de bebedeira. Tinha alegria no esconderijo, tinha risada. Lembro que também havia algo de dança, algo de belo, belos trajes, um olhar apaixonado distante. De perto. Muitas pessoas ao lado, mas lembro que só tinha uma. Lembro dos corpos se aproximarem e lembro das belezas internas que, se não onisciente, via nos sinais tamanha intensidade.
As coisas se misturam. Não há uma lógica. E nem era mesmo pra ter. Confesse! Você leitor, se não amou, então não entenderá. Não mesmo. A temporalidade presente nesses dias se perde. Não há mais tempo.
Afinal, do que eu me lembro mesmo, era da menina que disse que amava cada pedaço de mim. Acordar sozinho pode ser duro, mas logo não será assim. Um "Eu te amo" pode ter várias interpretações. As palavras valem muito. Mas pra que dizê-las? Amo essa menina como a mim mesmo. Amo tanto que sinto o frio na barriga das crianças. E porque seria diferente? Afinal, quando alguém resgata sua essência, respeitando as diferenças, há algo de felicidade escondido em algum lugar.
Lembro só do abraço. Da frase no ouvido. Do amor quebrando minhas maldições.
sábado, 7 de novembro de 2009
Cachoeira de tudo
Ele tremia. Era a primeira vez que veria uma cachoeira. O tremor não era causado por ansiedade ou medo, e sim por uma deficiência mental. O nome da doença não tem nenhum valor nesse instante, caro leitor. Pois se tem dúvida, busque informações em lugares quaisquer. O fato é que uma descida entre pedras e barro e árvores e irregularidades do terreno dificultavam sua descida. Via-se no rosto do garoto, que na verdade era quase um adulto, mas que aparentava um garoto, o rosto da luta de uma descida dura. O corpo tremia cada vez mais, como se em instantes poderia se debater por não aguentar tamanho esforço. As pessoas em sua volta o carregavam com cuidado, ora quase o carregando no colo. O cansaço intenso de uma descida simples, cada passo lento, cada novo desequilíbrio, cada nova retomada. Sua cabeça atrás tinha o desenho de costura que ia das costas até a parte superior de sua careca irregular, numa cara simples. Traços duros. Sorriso fácil.
Antes da descida, o homem que o acompanhava disse em tom de brincadeira: "Não repare, ele bebeu logo cedo." Após as risadas, com muita dificuldade ele disse: "Mas foi você quem me deu a bebida". Todos riram. A caminhada para a descida não era das mais longas, mas a cada novo passo não se notava nada diferente. Como se aquele passeio fosse comum.
A trilha continuava perigosa, com os obstáculos piorando. A verdade é que o instrutor, que já havia feito aquele caminho centenas de vezes, nunca havia notado o quão difícil poderia ser. Observava assustado, e muitas vezes até tinha medo de acontecer algo ao garoto. Em muitos momentos foi ele também ajudar na caminhada, carregando o ser que tremia, o corpo parecendo carro velho, tremendo feito quem morre de frio. O corpo tenso aumentava a tremedeira.
Durante todo o trajeto, o homem que acompanhava o garoto ia contando ao instrutor sobre quem tremia. Dizia que era um garoto que pouco saia de casa, não vivia. Por causa da doença nem escola frequentou. "Ele não conseguia seguir o ritmo dos outros alunos. Escrevia tudo torto e, sem escrever, não podia ir pra escola. Largou na oitava série.". Então, notava-se um tom a mais de importância para a descida. Naquele instante começava a chover.
A chuva iria dificultar ainda mais naquela empreitada, porém, ao notar um pouco de tristeza na cara do garoto, todos continuaram a descida. Alguns escorregões, algumas quase torções, já que ele não olhava para baixo, marcaram a descida. Aliás, não olhava para baixo por que era imensa a dificuldade de concentrar o movimento em mais partes do corpo. O som aumentava. Chegaram na tal cachoeira.
O menino caminhou no mesmo ritmo. Olhou a cachoeira com os olhos de quem após 21 anos conhece uma. Pisou cada pedra como se andasse em nuvens. Molhou seu pé como se sagrada fosse aquela água. Sentou numa pedra recebendo na cabeça a queda d'água. E lá permaneceu.
Não há descrição de tempo possível em toda a literatura que possa dar conta de quanto tempo foi. Com os olhos ora fechados, olhando por dentro, ora abertos, olhando onde estava. A mata tornou-se o mais divinizada possível. A única certeza é que as pessoas desapareceram naquele instante. Todas elas. A água tirou um pouco de suas costas o peso de ser deficiente mental. De ser diferente. Ali era igual. Um ser humano normal. Como desde que nasceu, nunca havia sido.
. Subiu todo o morro como se fosse plano. Como se alcançasse o céu. Até porque, naquela tarde, ele podia tudo.
Antes da descida, o homem que o acompanhava disse em tom de brincadeira: "Não repare, ele bebeu logo cedo." Após as risadas, com muita dificuldade ele disse: "Mas foi você quem me deu a bebida". Todos riram. A caminhada para a descida não era das mais longas, mas a cada novo passo não se notava nada diferente. Como se aquele passeio fosse comum.
A trilha continuava perigosa, com os obstáculos piorando. A verdade é que o instrutor, que já havia feito aquele caminho centenas de vezes, nunca havia notado o quão difícil poderia ser. Observava assustado, e muitas vezes até tinha medo de acontecer algo ao garoto. Em muitos momentos foi ele também ajudar na caminhada, carregando o ser que tremia, o corpo parecendo carro velho, tremendo feito quem morre de frio. O corpo tenso aumentava a tremedeira.
Durante todo o trajeto, o homem que acompanhava o garoto ia contando ao instrutor sobre quem tremia. Dizia que era um garoto que pouco saia de casa, não vivia. Por causa da doença nem escola frequentou. "Ele não conseguia seguir o ritmo dos outros alunos. Escrevia tudo torto e, sem escrever, não podia ir pra escola. Largou na oitava série.". Então, notava-se um tom a mais de importância para a descida. Naquele instante começava a chover.
A chuva iria dificultar ainda mais naquela empreitada, porém, ao notar um pouco de tristeza na cara do garoto, todos continuaram a descida. Alguns escorregões, algumas quase torções, já que ele não olhava para baixo, marcaram a descida. Aliás, não olhava para baixo por que era imensa a dificuldade de concentrar o movimento em mais partes do corpo. O som aumentava. Chegaram na tal cachoeira.
O menino caminhou no mesmo ritmo. Olhou a cachoeira com os olhos de quem após 21 anos conhece uma. Pisou cada pedra como se andasse em nuvens. Molhou seu pé como se sagrada fosse aquela água. Sentou numa pedra recebendo na cabeça a queda d'água. E lá permaneceu.
Não há descrição de tempo possível em toda a literatura que possa dar conta de quanto tempo foi. Com os olhos ora fechados, olhando por dentro, ora abertos, olhando onde estava. A mata tornou-se o mais divinizada possível. A única certeza é que as pessoas desapareceram naquele instante. Todas elas. A água tirou um pouco de suas costas o peso de ser deficiente mental. De ser diferente. Ali era igual. Um ser humano normal. Como desde que nasceu, nunca havia sido.
. Subiu todo o morro como se fosse plano. Como se alcançasse o céu. Até porque, naquela tarde, ele podia tudo.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Sobre arte
Pois hoje, ao ouvir a canção algumas vezes
Tive a sensação estranha de estar sendo levado
Espectador levado que se arrisca a ser ator
Um jovem fã que resolve ser coadjuvante
A um novo patamar de arte, arquitetada por outras mentes
Construída pela mente minha, inspecionada somente por mim
Ouvi a canção e resolvi participar da criação
Resolvi ser Chico, Drummond, Pessoa, ser humano diferente
Aquele que previamente sabido, vivido, emocionalmente (em textos) evoluído
Sabe juntar palavras e fazer da poesia a canção e da canção mito
Ao ouvir a música e ouvir as palavras que me tocavam
Peguei a caneta e escrevi uma obra perfeita
Ao começar ler a obra, que não é essa pois é perfeita
Já vi brotar uma lágrima nos olhos da leitora atenta e disse:
"Aguarde agora, não chore nesse instante
Distante estão os momentos do texto
Que realmente lhe serão emocionantes"
Comovente era desde o início, mas a leitora não tinha que chorar ali
Aguardasse o meu momento, meu clímax ora, era o materializador daquilo
Que nasceu, como já disse antes, de outras mentes unidas
Não sei se histórica, temporal ou hipoteticamente
Ela continuou lendo de forma interessada
Em alguns momentos com atitude extressada
Mas via que suas pernas denunciavam seu desejo de correr
E ver o ser que há em ter a glória de ler
Meio que sobrenatural, quase que supremo
Solidamente divino, estruturalmente espiritual
Subjetivo demais, um ser que nasce a cada nova palavra
Deus da ficcionalidade, da falsa verdade verossimilhante
E finalmente, chorou na hora certa. Bem quando chorei escrevendo.
A obra depois foi queimada, pois pensei ser plágio
Tinha uma frase de cada coisa que me havia emocionado
E de alguma forma, fui como antes dito levado
A fingir que era o que na verdade não seria
E sentir na pele o que era emocionar alguém com algo que se escreve
(Só não havia entendido porque diabos
Ela havia chorado no momento errado)
Ah! Mas que felicidade senti no dia que resolvi escrever um texto meu
E após terminar de ler e chorar em ora qualquer
Notei o real prazer que se tinha em fazer arte
Ouvi a mesma canção
Subi no mesmo palco
Gritei palavras soltas
Corri desnorteado
Cai em meio a aplausos
Em meio ao povo clamante
Pedindo a quem quer que fosse
Um pouco de arte de verdade
A minha era de verdade
E o povo podia sentir
A minha não tinha anseio
Mercadolologicamente correto
A não ser na obra copiada
A minha métrica é ser verdadeiro a mim
Que me estudem e me expliquem depois do jeito que lhes importar
Pois escrevo de fato meus fatos pela simples necessidade de precisar.
As pessoas aplaudiram
Sorriram atentamente
O jovem amante de arte
Que foi pra cima do palco e tocou... alguém.
Tive a sensação estranha de estar sendo levado
Espectador levado que se arrisca a ser ator
Um jovem fã que resolve ser coadjuvante
A um novo patamar de arte, arquitetada por outras mentes
Construída pela mente minha, inspecionada somente por mim
Ouvi a canção e resolvi participar da criação
Resolvi ser Chico, Drummond, Pessoa, ser humano diferente
Aquele que previamente sabido, vivido, emocionalmente (em textos) evoluído
Sabe juntar palavras e fazer da poesia a canção e da canção mito
Ao ouvir a música e ouvir as palavras que me tocavam
Peguei a caneta e escrevi uma obra perfeita
Ao começar ler a obra, que não é essa pois é perfeita
Já vi brotar uma lágrima nos olhos da leitora atenta e disse:
"Aguarde agora, não chore nesse instante
Distante estão os momentos do texto
Que realmente lhe serão emocionantes"
Comovente era desde o início, mas a leitora não tinha que chorar ali
Aguardasse o meu momento, meu clímax ora, era o materializador daquilo
Que nasceu, como já disse antes, de outras mentes unidas
Não sei se histórica, temporal ou hipoteticamente
Ela continuou lendo de forma interessada
Em alguns momentos com atitude extressada
Mas via que suas pernas denunciavam seu desejo de correr
E ver o ser que há em ter a glória de ler
Meio que sobrenatural, quase que supremo
Solidamente divino, estruturalmente espiritual
Subjetivo demais, um ser que nasce a cada nova palavra
Deus da ficcionalidade, da falsa verdade verossimilhante
E finalmente, chorou na hora certa. Bem quando chorei escrevendo.
A obra depois foi queimada, pois pensei ser plágio
Tinha uma frase de cada coisa que me havia emocionado
E de alguma forma, fui como antes dito levado
A fingir que era o que na verdade não seria
E sentir na pele o que era emocionar alguém com algo que se escreve
(Só não havia entendido porque diabos
Ela havia chorado no momento errado)
Ah! Mas que felicidade senti no dia que resolvi escrever um texto meu
E após terminar de ler e chorar em ora qualquer
Notei o real prazer que se tinha em fazer arte
Ouvi a mesma canção
Subi no mesmo palco
Gritei palavras soltas
Corri desnorteado
Cai em meio a aplausos
Em meio ao povo clamante
Pedindo a quem quer que fosse
Um pouco de arte de verdade
A minha era de verdade
E o povo podia sentir
A minha não tinha anseio
Mercadolologicamente correto
A não ser na obra copiada
A minha métrica é ser verdadeiro a mim
Que me estudem e me expliquem depois do jeito que lhes importar
Pois escrevo de fato meus fatos pela simples necessidade de precisar.
As pessoas aplaudiram
Sorriram atentamente
O jovem amante de arte
Que foi pra cima do palco e tocou... alguém.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Palhaçadas
A Lágrima do palhaço é a maior contradição humana
Não sei isso já foi dito, e se já não me processem
Só concordo plenamente com o raciocínio
De um lado a criança simbolizada na alegria
Do outro um adulto encarnando o personagem
O verdadeiro palhaço vive, todo dia, tal contradição
E não há formas para se negar a dificuldade
De sorrir colorido cobrindo o cinza do real
O cinza das coberturas cinzentas e das casas
Ou até mesmo a fumaça cinza, produzida pelo homem normal
O palhaço pinta a cara e se esconde
Da humanidade que o condena
A ser o eterno e bagunçado
Bagunceiro mal encarado,
(do nosso mundo)
o homem
Não sei isso já foi dito, e se já não me processem
Só concordo plenamente com o raciocínio
De um lado a criança simbolizada na alegria
Do outro um adulto encarnando o personagem
O verdadeiro palhaço vive, todo dia, tal contradição
E não há formas para se negar a dificuldade
De sorrir colorido cobrindo o cinza do real
O cinza das coberturas cinzentas e das casas
Ou até mesmo a fumaça cinza, produzida pelo homem normal
O palhaço pinta a cara e se esconde
Da humanidade que o condena
A ser o eterno e bagunçado
Bagunceiro mal encarado,
(do nosso mundo)
o homem
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O que merece um texto?
Quais são os acontecimentos que merecem um texto?
Como tenho postado com frequência, ora ou outra pessoas dizem que coisas merecem textos. Daí resolvi escrever sobre isso.
Outro dia escrevi sobre um risco no céu. Também já escrevi sobre dias ruins. Já falei sobre sofrimento, medos (isso sempre!), momentos importantes, coisas sem sentido. Em análise, pude concluir que quase tudo em nossa volta merece um texto. Porém, há sempre um porém. Tem coisa que escrevi para descarregar minha tensões. Coisas que precisava materializar em meu blog, em um caderno. Precisava, portanto, tirar de mim. Essas coisas talvez não merecessem um texto. Precisavam deixar de me atazanar.
Existiram outras que precisavam ser escritas para dizer algo a alguém. Uma carta que não chega ao destinatário, que o medo faz você guardar pra sempre. Esses textos as vezes eram postados, mas nem sempre eram lidos por quem deveria ler. Ou seja, faziam de forma perfeita seu papel. Mas há coisas que merecem ser eternizadas. Em conversa com uma amiga, disse a ela que deveria escrever coisas mais alegres. Ela me disse que não conseguia, por uma questão quase de estilo. E na verdade, quando se fala em escrever, quase sempre entramos em aspectos sentimentais e coisas do tipo. Logo, não conseguimos falar de coisas boas, até porque, como disse um outro amigo "não perco tempo escrevendo coisas boas, pois prefiro vivê-las". Faz muito sentido.
Mas eu prefiro escrever sim. Quando escrevo sobre alguma coisa boa, algo que realmente merece um texto, lá não fica marcado somente um ocorrido, um fato. Lembro do que senti, como senti. Lembro inclusive de como estava no dia que escrevi.
Alguns meses merecem textos. Algumas amizades merecem também. Amores, família, coisas diversas. Nesses momentos esqueço de escrever como um profissional, para descrever minha vida (e no meu blog posso, o que talvez em meu livro ou crônica não poderei), pra depois me lembrar de como foi bom.
Agora por exemplo, comecei a namorar uma mulher maravilhosa. Isso merece um texto. Mas preferi dizer assim, pra você notar o quanto isso realmente mereceria um texto. Tanto que está aqui. Minha vida merece um texto, assim como tudo que acontece comigo. Depois, vira história.
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