domingo, 20 de junho de 2010

A nauseante flor contemporânea

Por entre os olhos jovens da minha geração
Vejo um olhar meio cínico que tenta contornar
Tudo que de chato as lutas velhas almejavam
Que sem sorte, tentaram e ferraram esse lugar

Nasci em meio ao fim do sonho

Meio fio histórico, vitória da lenta luta
Lida hoje por olhos sedentos do sangue de qualquer luta
Buscando algo que eu acredite, entende? Algo de luta
Olho de quem nunca enxergará (destino filho da puta)

Nasci em meio ao marasmo histórico

Hoje as ruas estão cobertas de flores
Que nem sei mais se são realmente feias
E nem ao certo se são realmente flores
Mas não se diferem nem das flores, nem das feias

Nasci em meio à nova onda desacreditada

A ditadura era quase uma antiga realidade
A democracia era uma quase nova realidade
Que de real e de verdade, não houve, ora, hora certa
Nem mesmo algo que realmente tenha dado certo

Nasci em meio à revoltados pós-revolucionários

Hoje se criam revolucionisses pra ver se cola
Criam-se novos estilo musicais e literários pra ver se cola
Repetem-se os mesmos erros dentro e fora da escola
Colam-se as provas, as citações, crimes aprendidos na escola
(e merece uma breve quebra revoluciosa [pra ver se cola]
que em brasília [em minúsculas] o crime tem feito escola) 
                                                                                           [Amém]

Nasci em meio à era democratizante, descentralizante, neoliberalizante

Cortaram uma flor cinza que nasceu no coração de um jardim florido
Aprendemos a fazer certo, (errado) mas sempre florido
Cortaram a tal flor, que era mortal, em meio ao florido meio nacional (florido)
E entre vitórias, revoltas e paralisações, continuo sempre fudido

Nasci em meio à mesmice cíclica do não ter o que dizer...

Por isso, sem fôlego, escrevo por escrever
Discuto por discutir
Me faço eufêmico pra não ferir
Conto pequenas inverdades pra não mentir

Nasci em meio ao tédio teórico. 

Ou me entrego ao nostalgismo dos clássicos literários
Ou me entrego ao clássico ostracismo literário

4 comentários:

  1. Dear.. Não entendi um monte de coisa x) Repetições, repetições.. Isso quer dizer alguma coisa? Acho q saquei o motivo geral, essa onda de criar revolucionices pra ver se cola, mas nada parece novo, nada parece luta de verdade, como as lutas do livro de História. (Um pouco diferente do q era seu estilo no ano passado, mas ainda é você :D) E só pra concluir.. triste é sermos poetas menores e termos que explicar entre chaves que as minúsculas em brasília foram de propósito... ¡¬¬ Bejos bejos

    ResponderExcluir
  2. Nasci no fim de um sonho e por isso, não sei dar continuidade a ele.

    você é muito bom!

    Me desculpa a invasão. rs

    Elizabeth.

    ResponderExcluir
  3. Sou adepto do nostalgismo clássico.

    E que bom que você também é (isso me ficou claro [drummond de andrade], mesmo que em minúsculas, nesse texto).

    E, talvez, se todos fossem, deixaria de ser uma nostalgia revoltante; seria uma revolução pensante que... Bom, estou discutindo por discutir.

    Eu ainda nasci um pouco mais enraizado nessa era nauseante.

    ResponderExcluir