terça-feira, 18 de junho de 2013

A Primavera Brasileira

O dia de ontem acabou. 17 de junho de 2013. E como em toda a Primavera, "uma flor nasceu" nas ruas. 
Há esperança.
O que se conseguiu? Mudar o Brasil?
Mostramos que a gente é que nem bicho parado do lado do osso. Não mexe no meu. Nem no do meu irmão. Quero ir pra rua lutar pelos R$ 0,20, mesmo que não sejam significantes. É o preço do justo, da justiça.
Pouco importa quanto se gasta no tênis que se usa, como pobres babacas andaram dizendo por aí.
Aliás, pouco importa os pobres babacas.
O mundo olhou, aplaudiu. E as pessoas cantaram o Hino. 
Velhinhas contavam os motivos de estarem lá, fazerem parte disso.
A luta não acabou.
Mas aquele papo de "O sonho acabou" pro Brasil não tem mais sentido.
A gente acordou. 
Sacudindo devagar, que nem num samba antigo.
Cuidado: 

Sinto cheiro de espírito jovem.

sábado, 25 de maio de 2013

Neblina

Enquanto estiverem molhados, marejados  esses olhos, há algo vivo que espera aí dentro. Essa vontade que te levanta numa madrugada fria, ela não pode ser apenas necessidade: ter que lavar o rosto numa pia suja ou numa pia de ouro, te avisam a mesma coisa. Há de se repensar enquanto ser. Motivo pra levantar, motivo. Viver é tarefa diária de autoconvencimento. Viver é tarefa sem sentido, de buscar recompensas. Um reforço positivo. Um pouco de ração pro espírito a cada choque. Daí que a gente vai sendo levado pela noção de qualquer coisa, e depois é cada um por si tendo pesadelo e imaginando a vida como algo significativo. Daí que a gente vive é pra acumular. Sozinho. Você e mais ninguém. Aproprio-me do que não pertence a ninguém, só pra dizer que tenho mais do que somente a mim. Bato, apanho. Viver é tarefa doída. Doida. Dormir 3 horas por dia, motivado pelo que? Ler um bom livro? Comer em um Restaurante mais caro? E o arroz? E a carne moída? E quando você, criança, chorava por que você queria um Yakult? Hoje ele tá ali, na altura das suas mãos. Seu dinheiro compra cada vez mais coisa. O que te dói? Por que você tem medo? Agora sozinho, você ensina. Daí que você vai ganhando gosto pela coisa, não é? Deixa esse brilho se manter, essa vivacidade, que a Neblina espessa que cobre o vale da janela do ônibus, você que veio da cidade grande, vai te molhar os olhos. Você entende uma nova língua? Que mundo é esse que te faz querer acordar? O que ele tem de diferente de outros Mundos? Eu era uma criança preocupada com o mundo. Quando eu descobri que o dinheiro ia perder zeros, chorei. No fundo sempre tive medo do Real. Daí que a gente saiu com o coração partido, com gente te contando que o mundo era grande. Você, patético, acreditou. E agora, não consegue mais parar. Aquele diploma, aquela viagem. No fundo, molhar o rosto e olhar pro espelho não pode ser deixado de lado, como lição automatizada, stand by cerebral. Eu sempre me olho no espelho enxergando cada camada, até desaparecer. Vou olhando mais fundo e mais fundo pra me ver. Aquele menino imaginativo que foi indo pro mundo, hoje chora por poder ensinar. Ele encontrou seu motivo. Ele acorda com dificuldade, como todo mundo que quer continuar na cama. Daí que ele vai despertando e 5 minutos depois ele já pensou em umas 20 coisas que o deixam feliz. A gente mente tanto pra gente que chega a se convencer! Eu, o menino, você, levantamos e colocamos nossa máscara mais bonita, só pra deixar o teatro do dia mais gracioso. Em cena, com os textos decorados, vamos encenando. E aí, quando a luz apaga, é triste. Eu não me lembro da última vez que eu fiz uma coisa própria da minha personalidade. Mas eu posso ensinar alguém. Se eu te contar como o mundo é grande, você jura que olha pela janela pra conhecê-lo? Promete pra mim que põe a cara pra fora, só pra sentir essa brisa? Não deixa essas bobagens te deixarem pra baixo? É pra ter lógica mesmo não. Deixa que o matemático acredite nisso. Você pode saber a verdade. Ela é única e ninguém a conhece e é aí que está a beleza. Mas você só a merece olhando pra fora, levando o cachorro pra passear. Aquele menino viu e se assustou. Mãe, me espera? Quando eu voltar eu vou ser um homem. Você espera? Eu espero. Enquanto meus olhos brilhosos enxergarem, mesmo que embaçada, essa luz por dentre a neblina da alma. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Que se quis ser crônica

Eu tenho quatro ou cinco coisas pra dizer agora. Vou falando lentamente e se eu passar do ponto, me avise, me aponte. Queria ter ânimo e vontade para falar de política como falam os cronistas. Ser crítico,  pessimista. Eu não: sempre ao contrário do discurso comum, anunciava aos quatro ventos que nosso país seria grandioso, uma economia forte. Acertei. Mas daí que continuamos sendo feitos de palhaços. É como se aquela empresa que a gente trabalha nos motivasse mostrando o quanto lucrou ou anda lucrando. A gente só queria mais comida no prato. Queria sobremesa. 
Queria falar desse revoltante momento, mas seria só mais um. Dia desses a UNICEF mandou avisar que "likes don't save lives". Meus textos também não, nem os de ninguém. Concordo com a UNICEF, concordo com quem reclama da política, concordo com quem se expõe no conforto da sua casa: dos que apontam o dedo na sua cara aos que não fazem ao menos isso, somos todos alguém querendo algo para nos tornamos maiores. Ponto. A UNICEF mandou bem e encontrou uma frase de efeito para conseguir mais doações. Tomará que lá "Money save lives". Aqui não acreditaria tanto não.
Daí que a gente vai envelhecendo e o tom vai mudando: ainda sou jovem, eu sei. Ainda vou mudar muito, ao que parece. Mas no desconforto do que vivo hoje, assumo que o discurso não se torna mais alienado, decepcionado. Ele só ganha em possibilidade de realização. Foge do âmbito do sonho, pairando pelos campos do possível. Ou seja, se você não tem coragem de pegar em armas, pegue a pena. Pegue o mouse. Pegue a criança. Pegue o vizinho. E faça alguém ter dor de cabeça com tanta minhoca que você coloca lá dentro. Sacuda esses pensamentos e os torne tão densos, que pensar será tarefa dolorida como deve ser. Confunda-os. Trame. Quem sabe assim, todo mundo com a cabeça bagunçada, a gente não consiga mudar as próximas gerações. É menos difícil que pegar em armas e mais possível que puros idealismos imediatistas, né? Mudar as próximas gerações, esse é um sonho mais possível.
Dessa não há esperança. Estava vendo, dia desses, a entrevista do Geraldo Vandré. Ele não dizia nada de novo. Mas era triste com essa situação (essa que a gente tá vivendo). A gente batendo a cabeça esperando aplausos, enquanto alguém que paga alguém, te apresenta esse alguém e lá está você, aplaudindo de pé. Pois, a tristeza dele, que se escondeu durante muito tempo, é a dos que batem a cabeça. 
Já disse que os médicos deveriam receitar novas dietas, que incluíssem mais música, menos produtos artificiais. Mais arte e menos transgênicos. Mais poesia e menos antidepressivos. Mais dor de cabeça e menos Novalgina. 
A gente deveria fazer manifestações pela arte. Deveria, aos poucos, ir fazendo a nossa parte. Mas o nosso umbigo... ele é tão grande e o mundo tão insignificante. 
Queria saber usar ponto e vírgula. Queria que a gente saísse da ignorância, empunhássemos armas (as que tivéssemos) e saíssemos pelas ruas em busca de justiça. E que as pessoas fossem juntas, de mãos dadas, pelas ruas e pelas avenidas e pelas cidades. Que não fossem apenas meia dúzia com outros se rindo: queria que a empregada doméstica, o pintor, o funkeiro, o ceo, o atendente, a telefonista, a dona de casa, o gerente, o caseiro, o vereador, o padre, o buda, o carpinteiro, todos soubessem por que estariam andando. Queria que a motivação não fosse a revolta e nem a justiça: fosse a melhora. Uma caminhada que aos poucos iria ganhando força e ligaria cidades e estados. Que esvaziassem os edifícios, que pisoteassem o barro os sapatos caros e os pés descalços, lado a lado. E ao chegar em Brasília, envergonhados, viessem ministros e deputados e a gente toda dessem as mãos, de bochechas vermelhas sem darem explicações ou se defenderem. Daí juntos, no abraçaríamos, pediríamos desculpas e iríamos para nossas casas, em caminhadas que demorariam meses. Mas nada importaria: com as almas lavadas, recomeçaríamos fazendo tudo direito. Com cada um exercendo o papel que deveria sempre ter exercido. Daí que os ricos continuariam ricos, os pobres continuariam pobres, mas a gente não teria mais que ser obrigado a aturar um montão de coisas. Pensar, daí, ia ser coisa boa. A gente ia olhar pro lado e ver outra pessoa e ia ficar com vergonha de pisar nela. Com o tempo, a gente ia crescendo e o país virando um exemplo. 
Mas como disse, não sei usar ponto e vírgula. Não sei escrever textos sólidos, crônicas verdadeiras. No fim, sou ainda jovem demais pra perder a esperança. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Estrada

Veja bem. Você cansa seu cérebro. Seu corpo. A festa é vazia. A festa esvazia. Daí que corro, longe. Me vou como que tropicando em cada sílaba pensada. Cada ideia é dolorida como um enforcamento. Por que nesse momento? Atordoado e zonzo só enxergo um relógio que, em luzes vermelhas, me mostra que já é tarde. Enquanto silhuetas se movimentam pela janela, todo mundo dorme. Por que eu não durmo? Quero dormir também. E emagrecer. E ser feliz. De tão feliz, quero que a vida se torne ridícula. Aquele marasmo e que dure, pelo menos, 1 mês. Não quero uma comemoração. A Lua que festeje. Eu quero fazer isso ao som de uma boa música, sem boas companhias: pouco me importará o Senado, Deputados enrustidos, as Igrejas, a Moral, minhas Dívidas, minhas Dúvidas. Queria mesmo que o relógio parasse de piscar. Gostaria de enxergar mais que silhuetas, exagerar menos. Luzes. Mesmo que longe, elas sempre estão em algum lugar. E pra onde eu vou mesmo? Pro Lar? É por ali? Aí, temos uma contradição. Vejo mais que silhuetas. Já abro a boca de sono, enquanto me esqueço que o rádio queimou, que a nota desceu, que todo mundo atrasou, que eu estava correndo até minutos atrás. O corpo vai calmamente amolecendo. Bocejo. Me acompanha nesse bocejo? E as pessoas em volta nem imaginam que estou ouvindo música em hebraico, que não estou entendendo uma palavra, quem sou. Elas não pensam se tenho boas ideias. Umas até são curiosas em perguntar, mas morrem de vergonha. É a vida, ela é divertida. Encaro a vida com paixão. Ela merece respeito. Eu dou esse devido respeito. Mas preciso emagrecer, consertar o rádio e aprender inglês. Ah, meu nome. Tem meu nome. Algumas dívidas. Queria que elas caducassem. Será que as dúvidas caducam? O piano está afinado, mas eu não ligo, pois sei que você dificilmente chegará até aqui. Mas acho que ainda te amo. Daí que a gente ficou tão bravo com a notícia daquele rapaz daquela comissão, que chegamos a pensar em... Lembra? Diz que lembra... Essas pequenices são tão importantes pra mim. Como cheguei nisso? No assunto. O ponto é que o sono passou do bocejo. O olho já está embassando. Espero que, quando eu acordar, as pessoas continuem me olhado. Que não haja ninguém ao seu lado. Mas que muita gente esteja por perto. Não sei como cheguei nisso. Nesse nosso nisso. Veja bem. Não deixe de ser. Não deixo se estar aqui. E o resto? É o que a gente escolher. E a viagem, essa que é também a vida e que dela faz parte, continua hoje e sempre. Te espero na estrada, no meio caminho. Entre lá e aqui, seu mundo e o meu.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Domingo

Entre as parede daquela casa, tinham tantas cores, um mural-mosaico. Pirambola de gigantes deteriorando. Fuga. Na mesmice, colore a ficção. Sou personagem criado por mim. Não existem fatos se alguém os descreve. Discussão antiga essa. Pulo trechos, linhas, deconverso, busco razões para escrever, mas hoje é domingo, pede cachimbo. Anoto num canto as frases soltas que me querem dizer alguma coisa. Palavra sempre tem o que dizer. No fatídico dia em que a palavra deixar de se resignificar, nosso verbo não mais se conjugará na palpitação latente que se chama língua. As pessoas julgam dom juntar palavra com palavra. Não sei se estão certas. Aliás, sei. E não estão. Cada tijolo significa. Na construção de uma casa, quem os usa os resignifica. O tijolo da mansão e do barraco são bem parecidos, quando não iguais. Mas daí garantir que a estética arquitetônica provida de um cérebro consciente, mente artística e acadêmica, gente que estuda pra criar casas fabulosas, garante um lar, daí é confundir alhos com caralhos. Talvez o dom seja esse aspecto: o lar. As paredes quase caídas, donde aparece o tijolo mal revestido, o vermelhão que esconde o cimento que resseca e sai com o pé, piso torto, podem esconder uma grande família, pode ser o habitat de alguém especial. Na unidade da obra que busco, vou me resignificando pra ver se algo muda. Vou estagiando no mundo meio invisível, de propósito. Vou cativando um por um, pra tentar provar pras pessoas que eu tenho coração. Já pensou? O dia em que o amor voltar? Como estarei eu? De porta aberta, pois sempre cri. As janelas donde imagens passam rapidamente te provam que você está saindo de um lugar e indo para outro. Quero ver enxergar isso parado, na mesmice de um dia frio, num domingo mesmo, onde o que se repete é a ordem, os programas. Domingo é dia de macarronada e família? É dia de andar pra frente. É dia de dar cambalhota pra ver o mundo de outros ângulos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

6 anos!!!

É hoje o aniversário de 6 anos do meu Blog... Ele, que começou como "Mitologia Moderna - Cantos e Contos" e hoje foi apelidado de "Primaveras de Sarcasmo", se mantém aí, com um monte de memórias guardadas.
Há 6 anos, estava eu quieto e tristonho pelos cantos e encontrei na palavra um amigo... esse amigo tem me feito bem, muito bem, obrigado. Tem me dado uns sonhos meio bobos e umas alegrias meio tolas. As coisas com ele são sempre tão grandiosas.
Hoje, estou com uma indecisão, mas uma coisa boa fica atrás da minha orelha. Tenho medo ainda, de um monte de coisas, mas a palavra vai me salvando. Lembrarei das rodas.
Obrigado para quem já passou por aqui. Eu sei que é difícil querer ler hoje. É chato, meio pedante, tanta coisa, ora, pra fazer... mas daí algo te faz vir e vem.
Esses anos andei vindo menos, mas vim. Não deixarei isso tão cedo.
A parte boa é que meu livro está caminhando bem. Quanta coisa, fico tonto.
Tchau e bença, beijo e até mais.
Outro ano, logo, logo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ratos de roda

Sabia que cansa?
Sabia?
Eu sempre soube...
Mas não sabia que era infinita a dor de se buscar
A gente fica aí feito louco buscando e buscando
Sempre há o que, sempre há
Circular
Esteira onde nada muda
A busca é sempre o que motiva
Quer dizer, que muda, muda
Me escuta, cansa demais
Quando não é amor, é dinheiro e família
Quando não é família, é amor e dinheiro
Quando não é dinheiro, é dinheiro, amor e família
E quando não é nada disso, tem trabalho, tem amigos, tem depressão por falta de algo ou dinheiro
Infinito
Ratos. Somos ratos presos na roda
Roda de rato é a vida
Rato de roda somos nós
E na busca de ser melhor, sempre tem alguém melhor
Na busca de algo bom, sempre tem algo melhor
Na busca da felicidade, ela nunca está completa
Somos insatisfeitos e indiferentes com as coisas meramente pequenas
Nunca se é bonito o bastante
Nunca se é bom o bastante
Nunca se é inteligente o bastante
Incompetentes, somos todos
Enganados com essas melindrosidades inofensivas
Daí que cansa
E ponto. Pronto.
Não vou correr mais em círculos
Vou em linha reta... e que me acompanhem os que me querem seguir
Daí me canso, mas pelo menos o cenário muda

domingo, 7 de outubro de 2012

Samba

Quem samba sabe
O swing da gota
Tem gingado quem brinda
A menina que branda
Um recado de sangue
O seu corpo não grita
A cabeça que gira

E a cadência que é pesada demais
E a carência que dum samba demais
E o corpo que não responde mais
E o batuque que não parava mais

Olha e repassa a história
Sente inveja da moça
Aquela que não cansa
E retoma do fim

A cabeça é quem dança
O seu corpo que paira
Um recado de susto
A menina que espalha
O gingado que brinca
O swing dos bambas
Quem samba sente falta de sambar

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sobre o Ensino de Língua Portuguesa no Brasil

O ensino de Língua Portuguesa ainda gera grandes discussões. A mídia, quando encontra oportunidades, tenta incriminar os cientistas da língua de serem a “Tropa de elite da gramática diferenciada, que convertem ideologia vagabunda em ciência não menos” (AZEVEDO, 2012). Nossos pais e mães escutam apavorados as novas teorias que seus filhos estudam. Além dos alunos que, mesmo quando defendem essas novidades linguísticas, o fazem ou com hipocrisia ou com um monte de preconceito escondido. Ou aberto. Quantos estudantes de Letras postam “erros” linguísticos dizendo que estão dando um “toque de linguista” em redes sociais. É difícil apostar em quantos realmente sabem do que estão falando.
Desde sempre, as teorias dependem de gente competente para saírem do discurso. A diferença é que uma teoria na área das exatas, por exemplo, depende do ser humano, mas as variáveis são detectáveis, são passíveis de erros e acertos, tentativa e erro. Tudo isso sendo reportado instantaneamente para os quatro cantos do mundo. Imagine que só o Brasil tem quase 2 milhões de docentes na educação básica. Imagine também que eles estão espalhados por toda a extensão territorial, com suas concepções, leituras, possibilidades. Cada um deles encontra uma sala diferente. Daí as teorias que estão sendo tão fortemente criticadas pela mídia brasileira, são as que são apresentadas por algumas Universidades (só algumas) e aparecem para serem empurradas por goela a baixo pelos materiais oferecidos pelo Estado, no caso de São Paulo, ou por materiais didáticos sendo feitos em escala industrial à luz dessas novas e tão controversas teorias.
A aula de Língua Portuguesa, portanto, é um complicado campo de batalha ideológico em que muitas porções da sociedade guerreiam. Uns com mais força e outros com menos, como em qualquer guerra. O professor em sala tem então duas realidades distintas, dentre outras possíveis, mas das quais  pontuo: de um lado o professor da escola particular que, na maior parte das vezes, é o que possui uma melhor formação (ou seja, as melhores Universidades formam professores para as instituições que melhor pagam, dentro da lei de oferta e procura capitalista), chega em sala e tem de se cuidar, pois os pais acompanham com tochas na mão cada nova notícia. O não ensinar gramática, ou o ensinar com um discurso contemporâneo pode representar um ataque aos defensores do gramatiques. Do outro lado está o professor da escola pública, formado na maior parte das vezes em instituições menos reconhecidas, que quase nunca toma contato intenso com essas teorias, e que, no entanto, não sofre tanta pressão dos pais e escola.  Alguns mais antenados buscam mudanças, mas os alunos assistem ao desespero do docente de camarote, sem muito se importarem, por motivos meramente culturais, além dos sociais (vale lembrar que o termo “elite intelectual” pressupõe o ato de estudar e aprender o que se ensina como elitizado, o que por muitas vezes é negado pelo aluno que, para valorizar de onde fala, nega o que não lhe pertence). Citando Soares, “(...) O aluno proveniente das classes dominadas nela (na escola) encontra padrões culturais que não são os seus e que são apresentados como ‘certos’, enquanto os seus próprios padrões são ou ignorados como inexistentes, ou desprezados como ‘errados’” (SOARES, 1986, p. 15).
Em meio a essa batalha, o professor deve se posicionar. E na busca por concepções e conceitos, não pode nunca se esquecer do aluno. Deve saber o que ensinar e se adaptar as necessidades desse aluno. É a partir da diversidade de textos apresentados, da apresentação de textos que dialoguem, buscar as relações desses textos em diversos contextos inseridos em uma linguagem. É necessário que o aluno conheça as teorias linguísticas com tamanha amplidão, que consiga explicar tudo o que se faz necessário na formação de um aluno das maneiras mais criativas e eficazes ao seu alcance. Para que o aluno que está sendo inserido em uma linguagem nova entenda esse processo. E para aquele que já tem as ferramentas por utilizar a tal variante culta, consiga enxergar o valor de outras variantes. Apresentar não apenas regras pontuais, e sim as enormes possibilidades que a língua proporciona. É um trajeto complicado, porém o professor precisa entender que “(...) antes de ser um corretor de exercícios de escrita, o professor se constitui na interlocução privilegiada de seus alunos. É apenas no momento em que se dispõe a ler o que estes escrevem que estará em condições de contribuir para a construção do conhecimento sobre a língua.” (BRITO, 1997) Mas há de se salientar que esses textos não são só os escritos: há muito na fala desses alunos que poderá ser valiosa ferramenta na tal construção desse conhecimento.
O professor de Língua Portuguesa deve se posicionar na construção de um cidadão. Um cidadão que saiba quem ele é, em que lugar social ele fala, qual a função que ele tem, seus limites, suas possibilidades. E essas possibilidades se encontram nessas novas teorias Linguísticas, espalhadas por todas. Mas dizer que o professor deve usar certas teorias, em uma realidade que não existe certeza de que se ele está preparado para aplica-las não é o caminho correto. Ou adotamos uma prova como a da OAB, por exemplo, para ditar o que queremos do nosso professor, fazendo ações de Marketing e Publicidade em favor das novas teorias, para fazer com que a sociedade as entenda como nós, ou deixemos que o professor na sua solidão da sala de aula tente fazer o melhor. Por que desde que o mundo pensa em educação e teorias, sempre dependemos de boas pessoas para executar, muito mais do que para pensar sobre.


Referências
BRITTO, L. P. L. de. A sombra do Caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas: ALB, 1997;
SOARES, M.B. Linguagem e escola: uma perspectiva social. São Paulo. Ed. Ática, 1986.




domingo, 1 de julho de 2012

Mudanças

Cada dia, mais insólito. Meu descanso é raro, mas meu sono prepotente. Se não quer vir, não vem. De jeito nenhum. Que fique eu como um zumbi amanhã, ou que finja muito bem.

Não há mudanças. Há novos jeitos de se conseguir as mesmas coisas. Os resultados não mudam as maneiras, e no final, não importa o quanto eu lute, tudo é tratado com um monte de asneiras.

Fale. Escreva. Faz bem.

Mas cresça.

O ser humano precisa se profissionalizar na tarefa de existir.