É hoje o aniversário de 6 anos do meu Blog... Ele, que começou como "Mitologia Moderna - Cantos e Contos" e hoje foi apelidado de "Primaveras de Sarcasmo", se mantém aí, com um monte de memórias guardadas.
Há 6 anos, estava eu quieto e tristonho pelos cantos e encontrei na palavra um amigo... esse amigo tem me feito bem, muito bem, obrigado. Tem me dado uns sonhos meio bobos e umas alegrias meio tolas. As coisas com ele são sempre tão grandiosas.
Hoje, estou com uma indecisão, mas uma coisa boa fica atrás da minha orelha. Tenho medo ainda, de um monte de coisas, mas a palavra vai me salvando. Lembrarei das rodas.
Obrigado para quem já passou por aqui. Eu sei que é difícil querer ler hoje. É chato, meio pedante, tanta coisa, ora, pra fazer... mas daí algo te faz vir e vem.
Esses anos andei vindo menos, mas vim. Não deixarei isso tão cedo.
A parte boa é que meu livro está caminhando bem. Quanta coisa, fico tonto.
Tchau e bença, beijo e até mais.
Outro ano, logo, logo.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Ratos de roda
Sabia que cansa?
Sabia?
Eu sempre soube...
Mas não sabia que era infinita a dor de se buscar
A gente fica aí feito louco buscando e buscando
Sempre há o que, sempre há
Circular
Esteira onde nada muda
A busca é sempre o que motiva
Quer dizer, que muda, muda
Me escuta, cansa demais
Quando não é amor, é dinheiro e família
Quando não é família, é amor e dinheiro
Quando não é dinheiro, é dinheiro, amor e família
E quando não é nada disso, tem trabalho, tem amigos, tem depressão por falta de algo ou dinheiro
Infinito
Ratos. Somos ratos presos na roda
Roda de rato é a vida
Rato de roda somos nós
E na busca de ser melhor, sempre tem alguém melhor
Na busca de algo bom, sempre tem algo melhor
Na busca da felicidade, ela nunca está completa
Somos insatisfeitos e indiferentes com as coisas meramente pequenas
Nunca se é bonito o bastante
Nunca se é bom o bastante
Nunca se é inteligente o bastante
Incompetentes, somos todos
Enganados com essas melindrosidades inofensivas
Daí que cansa
E ponto. Pronto.
Não vou correr mais em círculos
Vou em linha reta... e que me acompanhem os que me querem seguir
Daí me canso, mas pelo menos o cenário muda
Sabia?
Eu sempre soube...
Mas não sabia que era infinita a dor de se buscar
A gente fica aí feito louco buscando e buscando
Sempre há o que, sempre há
Circular
Esteira onde nada muda
A busca é sempre o que motiva
Quer dizer, que muda, muda
Me escuta, cansa demais
Quando não é amor, é dinheiro e família
Quando não é família, é amor e dinheiro
Quando não é dinheiro, é dinheiro, amor e família
E quando não é nada disso, tem trabalho, tem amigos, tem depressão por falta de algo ou dinheiro
Infinito
Ratos. Somos ratos presos na roda
Roda de rato é a vida
Rato de roda somos nós
E na busca de ser melhor, sempre tem alguém melhor
Na busca de algo bom, sempre tem algo melhor
Na busca da felicidade, ela nunca está completa
Somos insatisfeitos e indiferentes com as coisas meramente pequenas
Nunca se é bonito o bastante
Nunca se é bom o bastante
Nunca se é inteligente o bastante
Incompetentes, somos todos
Enganados com essas melindrosidades inofensivas
Daí que cansa
E ponto. Pronto.
Não vou correr mais em círculos
Vou em linha reta... e que me acompanhem os que me querem seguir
Daí me canso, mas pelo menos o cenário muda
domingo, 7 de outubro de 2012
Samba
Quem samba sabe
O swing da gota
Tem gingado quem brinda
A menina que branda
Um recado de sangue
O seu corpo não grita
A cabeça que gira
E a cadência que é pesada demais
E a carência que dum samba demais
E o corpo que não responde mais
E o batuque que não parava mais
Olha e repassa a história
Sente inveja da moça
Aquela que não cansa
E retoma do fim
A cabeça é quem dança
O seu corpo que paira
Um recado de susto
A menina que espalha
O gingado que brinca
O swing dos bambas
Quem samba sente falta de sambar
O swing da gota
Tem gingado quem brinda
A menina que branda
Um recado de sangue
O seu corpo não grita
A cabeça que gira
E a cadência que é pesada demais
E a carência que dum samba demais
E o corpo que não responde mais
E o batuque que não parava mais
Olha e repassa a história
Sente inveja da moça
Aquela que não cansa
E retoma do fim
A cabeça é quem dança
O seu corpo que paira
Um recado de susto
A menina que espalha
O gingado que brinca
O swing dos bambas
Quem samba sente falta de sambar
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Sobre o Ensino de Língua Portuguesa no Brasil
O ensino de Língua
Portuguesa ainda gera grandes discussões. A mídia, quando encontra
oportunidades, tenta incriminar os cientistas da língua de serem a “Tropa de
elite da gramática diferenciada, que convertem ideologia vagabunda em ciência
não menos” (AZEVEDO, 2012). Nossos pais e mães escutam apavorados as novas
teorias que seus filhos estudam. Além dos alunos que, mesmo quando defendem
essas novidades linguísticas, o fazem ou com hipocrisia ou com um monte de
preconceito escondido. Ou aberto. Quantos estudantes de Letras postam “erros”
linguísticos dizendo que estão dando um “toque de linguista” em redes sociais.
É difícil apostar em quantos realmente sabem do que estão falando.
Desde sempre, as teorias
dependem de gente competente para saírem do discurso. A diferença é que uma
teoria na área das exatas, por exemplo, depende do ser humano, mas as variáveis
são detectáveis, são passíveis de erros e acertos, tentativa e erro. Tudo isso
sendo reportado instantaneamente para os quatro cantos do mundo. Imagine que só
o Brasil tem quase 2 milhões de docentes na educação básica. Imagine também que
eles estão espalhados por toda a extensão territorial, com suas concepções,
leituras, possibilidades. Cada um deles encontra uma sala diferente. Daí as
teorias que estão sendo tão fortemente criticadas pela mídia brasileira, são as
que são apresentadas por algumas Universidades (só algumas) e aparecem para
serem empurradas por goela a baixo pelos materiais oferecidos pelo Estado, no
caso de São Paulo, ou por materiais didáticos sendo feitos em escala industrial
à luz dessas novas e tão controversas teorias.
A aula de Língua Portuguesa,
portanto, é um complicado campo de batalha ideológico em que muitas porções da
sociedade guerreiam. Uns com mais força e outros com menos, como em qualquer
guerra. O professor em sala tem então duas realidades distintas, dentre outras possíveis,
mas das quais pontuo: de um lado o
professor da escola particular que, na maior parte das vezes, é o que possui
uma melhor formação (ou seja, as melhores Universidades formam professores para
as instituições que melhor pagam, dentro da lei de oferta e procura
capitalista), chega em sala e tem de se cuidar, pois os pais acompanham com
tochas na mão cada nova notícia. O não ensinar gramática, ou o ensinar com um
discurso contemporâneo pode representar um ataque aos defensores do
gramatiques. Do outro lado está o professor da escola pública, formado na maior
parte das vezes em instituições menos reconhecidas, que quase nunca toma
contato intenso com essas teorias, e que, no entanto, não sofre tanta pressão
dos pais e escola. Alguns mais antenados
buscam mudanças, mas os alunos assistem ao desespero do docente de camarote,
sem muito se importarem, por motivos meramente culturais, além dos sociais
(vale lembrar que o termo “elite intelectual” pressupõe o ato de estudar e aprender
o que se ensina como elitizado, o que por muitas vezes é negado pelo aluno que,
para valorizar de onde fala, nega o que não lhe pertence). Citando Soares,
“(...) O aluno proveniente das classes dominadas nela (na escola) encontra
padrões culturais que não são os seus e que são apresentados como ‘certos’,
enquanto os seus próprios padrões são ou ignorados como inexistentes, ou
desprezados como ‘errados’” (SOARES, 1986, p. 15).
Em meio a essa batalha, o
professor deve se posicionar. E na busca por concepções e conceitos, não pode
nunca se esquecer do aluno. Deve saber o que ensinar e se adaptar as necessidades
desse aluno. É a partir da diversidade de textos apresentados, da apresentação
de textos que dialoguem, buscar as relações desses textos em diversos contextos
inseridos em uma linguagem. É necessário que o aluno conheça as teorias
linguísticas com tamanha amplidão, que consiga explicar tudo o que se faz
necessário na formação de um aluno das maneiras mais criativas e eficazes ao
seu alcance. Para que o aluno que está sendo inserido em uma linguagem nova
entenda esse processo. E para aquele que já tem as ferramentas por utilizar a
tal variante culta, consiga enxergar o valor de outras variantes. Apresentar
não apenas regras pontuais, e sim as enormes possibilidades que a língua
proporciona. É um trajeto complicado, porém o professor precisa entender que
“(...) antes de ser um corretor de exercícios de escrita, o professor se
constitui na interlocução privilegiada de seus alunos. É apenas no momento em
que se dispõe a ler o que estes escrevem que estará em condições de contribuir
para a construção do conhecimento sobre a língua.” (BRITO, 1997) Mas há de se
salientar que esses textos não são só os escritos: há muito na fala desses alunos
que poderá ser valiosa ferramenta na tal construção desse conhecimento.
O professor de Língua Portuguesa
deve se posicionar na construção de um cidadão. Um cidadão que saiba quem ele
é, em que lugar social ele fala, qual a função que ele tem, seus limites, suas
possibilidades. E essas possibilidades se encontram nessas novas teorias
Linguísticas, espalhadas por todas. Mas dizer que o professor deve usar certas
teorias, em uma realidade que não existe certeza de que se ele está preparado
para aplica-las não é o caminho correto. Ou adotamos uma prova como a da OAB,
por exemplo, para ditar o que queremos do nosso professor, fazendo ações de
Marketing e Publicidade em favor das novas teorias, para fazer com que a
sociedade as entenda como nós, ou deixemos que o professor na sua solidão da
sala de aula tente fazer o melhor. Por que desde que o mundo pensa em educação
e teorias, sempre dependemos de boas pessoas para executar, muito mais do que
para pensar sobre.
Referências
AZEVEDO, Reinaldo. A
tropa de choque da “gramática diferenciada” pode botar o burro na sombra; não
me assusto com a gritaria dos jihadistas lingüísticos deste aiatolá.
Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/este-e-o-sacerdote-do-erro-e-ele-o-burgues-do-socialismo-na-lingua-portuguesa-e-ele-quem-faz-de-lula-uma-teoria-de-resistencia-linguistica/.
Acesso em: 05 de junho de 2012
BRITTO, L. P. L. de. A sombra do Caos: ensino de língua x
tradição gramatical. Campinas: ALB, 1997;
SOARES, M.B. Linguagem e escola: uma perspectiva social.
São Paulo. Ed. Ática, 1986.
domingo, 1 de julho de 2012
Mudanças
Cada dia, mais insólito. Meu descanso é raro, mas meu sono prepotente. Se não quer vir, não vem. De jeito nenhum. Que fique eu como um zumbi amanhã, ou que finja muito bem.
Não há mudanças. Há novos jeitos de se conseguir as mesmas coisas. Os resultados não mudam as maneiras, e no final, não importa o quanto eu lute, tudo é tratado com um monte de asneiras.
Fale. Escreva. Faz bem.
Mas cresça.
O ser humano precisa se profissionalizar na tarefa de existir.
Não há mudanças. Há novos jeitos de se conseguir as mesmas coisas. Os resultados não mudam as maneiras, e no final, não importa o quanto eu lute, tudo é tratado com um monte de asneiras.
Fale. Escreva. Faz bem.
Mas cresça.
O ser humano precisa se profissionalizar na tarefa de existir.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Etanóis
Hoje, ao arrumar as malas, fui notando o quanto estava crescendo. Aos 26 anos de idade, saindo da casa que foi meu lar durante 3 anos e meio. Os melhores da minha vida... os melhores. A gente aprende muito quando mora em uma República Estudantil. Era um sonho. E em que verdade esplêndida ele se transformou. Lá estavam sempre outros 12 estudantes, num rodízio incrível de gente boa. Cada um de um canto do país, gente de outros países. Pessoas com sonhos e desejos, uns meio perdidos, outros certos de mais no que estavam fazendo, focados, desleixados. Seres que vão marcando a gente, construindo nosso caráter. Foram anos impressionantes. Se hoje deixo a casa, é por que sinto que preciso de um novo desafio. Mas estarei tão perto.
Difícil entender como que as coisas ficam cada vez mais claras quanto mais longe delas vamos ficando. E hoje ao arrumar as malas, vi o que estava deixando pra trás. Peguei meus livros na estante que nunca li, notei que precisava lê-los. Peguei a minha estante velha e vi quanto pó tinha embaixo dela. Juntei a minha roupa e vi quanta roupa eu tinha a mais do que 3 anos antes. Sentei na cama e lembrei de quanta gente eu passei a ter na minha família.
Na mala não cabem muitas coisas. Daí um caminhão passará pra buscar as coisas maiores. Quem sabe lá leve as coisas boas que foram construídas. Do menino perdido de 23 anos, sem muito rumo, buscando novas aventuras. Daquele cara estranho que não sabia conviver muito bem, meio cinza que gostava de conversar. As minhas coisas estão mais novas. As minhas virtudes andaram crescendo tanto nos últimos anos. Fui me tornando um homem. Foi a experiência que me fez entender como era viver sozinho, longe da mãe. Mas lá estavam eles. Caras perdidos como eu, buscando seus sonhos.
A cerveja gelada. A churrasqueira em um carrinho velho de supermercado. As noites mal dormidas. ah, quanta saudade... Parece que ainda vou voltar. Isso não sai da minha história. Isso faz parte da minha vida. Dilemas. Mas o que fazer? Por que fazer?
Daí é que se achegam e te dizem: vai cara! Vai ser grande! Vai ser feliz!
Tá aí. Daí notei o quanto amo a mulher que escolhi. O quanto sinto falta da minha família, mãe, irmãs, sobrinha. Pai.
A estrada foi se mostrando mais clara e mais verdadeira. Vi o quanto tenho feito boas escolhas.
Daí ainda dizem: cara, você nunca deixará de ser um morador! Você, para sempre, fará parte da história da República Etanóis.
Sim meus caros. Eu sempre serei parte disso. Sempre.
Amo esse lugar, amo essas pessoas. Continuem a história. Se tornem exemplos de seres humanos. Para seus filhos, para seus pais, para seus amigos, para nossos bixos.
Ensinem a força que aqueles jovens carecas tem. Ensinem que aqui é o melhor lugar do mundo para ser um grande homem.
Continuem esse lar. Lavem a louça, tirem o lixo e organizem as festas que fazem todo mundo ficar tão bem.
Deem bronca nos que estiverem tocando a zona e esquecendo o foco, mas façam o mesmo com os que se esquecem que tem que se divertir e fazer parte da casa.
Mostrem o que é ser Etanóis. Acho que ajudei e fiz minha parte. Tinha prometido aos antigos moradores. Agora peço a vocês: Sigam tornando essa casa grandiosa!
É nóis, Etanóis.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
512
A cada minuto, mais sonhos.
A cada sonho, mais lutas.
A cada luta, mais suor.
Preparando para outra fase. Com mais sonhos, lutas e suor.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Budapeste
Da dialética perfeita entre razão e emoção, nasce nada não. A mesma coisa acontece com todas elas: a vida se mantêm intacta, inata, estupenda. Segue-se a essa breve introdutória sem sentido, as loucuras feitas por Serafina de Lourdes Aparecida, a finíssima cidadã brasileira nascida em Budapeste, onde ao contrário daqui, a bunda não é uma peste.
Mas com seu lindo corpo, Serafina, que tinha uma família de nordestinos que moravam por lá na ocasião de seu nascimento, iria fazer história. Sua feitura se dera em 31/12/1995, na ilustríssima presença de três homens que sua belíssima mãe não se recordara. Nascera em berço de outro, pois o pai era desses que insistia em desaparecer. Achou, aquela grandiosíssima e aclamada figura que era a mãe de Serafina, um homem a quem deu o nome de pai. Era assim que nossa heroína ir-lo-ía chamá-lo dali por diante.
Se não ficou claro, após a indesejada e súbita gravidez posterior às festividades, fugiu aquela pobre mulher para a cidade citada há pouco, e aos poucos vai se desenhando quem é a heroína que vos conto.
Em 2006, aos 10 anos, participa de um concurso de beleza. Sua mãe a vislumbra como o ícone da lindeza e fineze, a adorna bela e, sem saber de Adorno, vai à grande mídia divulgá-la. Ah! a fama de uma infante! Sem voz, com o perdão da redundância, a pequena brilhava estupenda. Oh! quanta glória! Que beldade. Bela idade.
Em 2011, aos 15 anos, era a garota propaganda dos sonhos. E se cuidava tanto, Serafina, que mudou de nome para não ter nome desqualificante de sua imagem bela, e se chamara Jabuticaba, fruta doce de se esbaldar, que fazia pessoas passarem horas embaixo de seus galhos catando uma por uma grudadas no tronco para se deliciarem.
Hoje, aniversário de Mulher Jabuticaba, que se acaba em suas estonteantes curvas em seus shows onde canta seus sucessos. A mãe orgulhosa, se sente bem representada: aquela bunda ainda traria de volta toda a grandeza de sua família. Aproveitar da peste garante sustento. A cultura da bunda mostrara, nessa belíssima moça, o quão deveria ser respeitada. Mulher doce, que canta sensualmente, que se diverte. Do nordeste a Budapeste. Para as rádios, para o mundo. Qual é a história futura? Glória. A beatificação do corpo. A santidade do rebolado. A era da arte sacra das beldades e seus lindos corpos. O culto divino do que é sexual. Isso tudo é lindo como as sagradas escrituras.
Naquela tarde ensolarada, da face de sua mãe escorriam gotas de lágrimas ao ouvir a última parte da música cantada por Serafina. Era angelical.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
A criação
O armário, quebrado
As roupas, no chão
A mala aberta, bagunçada
A parede, marcada
A cama, desfeita
Lama no tapete, vidro quebrado
A televisão, ligada
O som, tocando
Uma canção?
Não importa
Lixo, camiseta e notebook, tudo misturado
Luxo, camisola e cobertor, tudo caído
Léxicos, carreiras e colírios, esquecidos
Loucas, coitadas e carentes, desmentidas
O cachorro, na cama
No chão, algo estranho
Dois corpos deitados
Imóveis
Se olhando, fixos
Depois de uma noite
De diversão, divertida
Depois de uma noite
De diversão, divertida
A rua escurece
Quem ria emudece
O rei não se veste
Quem rima se esquece
Quem ria emudece
O rei não se veste
Quem rima se esquece
Se olhando, fixos
Depois de uma noite
De diversão, divertida
Depois de uma noite
De diversão, divertida
No meio da sala
Em meios às palavras
Na surdez da solidão de estarem juntos
Onde ninguém toca
Onde o som não sai
Da toca
Ele um homem feito que sabe bem as coisas que a vida guarda
Ela uma Mulher forte pronta para descobrir
Na curva das frases, se tornam
Menos que um, se esgotam
Se tornam menores
Homem de um lado Mulher de outro
Como uma única parte do todo
No final se tornando uma coisa só…
sábado, 5 de maio de 2012
#vamosjogarbola?
Andam criticando a nova propaganda do Itaú. Eles tem razão. Acho que não temos mesmo que jogar bola. O melhor é ensinar para nossas crianças que tudo dará errado. Um evento esportivo não é nada demais. Vamos, daqui para frente, pensar melhor. Vamos criar vários eventos sobre ciência e tecnologia, que é disso que o Brasil precisa. Avanço científico e problemas. Antes fosse simples assim. Aliás, chega, né? Todo dia ao abrir todas as páginas na internet vejo um bando de gente falando de problemas e problemas. Como se falar sobre eles resolvesse. Não, meu caro idiota, não tenho feito nada para resolvê-los, assim como você. E não vejo motivos para uma revolução armada agora. Mas quero mais arte, menos blá blá blá. Eu quero brincar. Todo dia!
Vamos por partes, antes que me enrosque e me crucifiquem (se lerem).
Primeiro ponto: concordo que o Brasil precise melhorar sua educação. Acho indispensável e acredito na educação salvando vidas (comigo tem sido assim, por exemplo).
Segundo Ponto: Claro que o país precisa avançar suas pesquisas, incentivar a ciência…
Terceiro Ponto: Óbvio que o país usa certos artifícios para mudar o foco de escândalos. Claro que o país está afogado em corrupção.
O que quero dizer, e espero já ter ficado claro, é que tudo o que se falou sobre a propaganda, em relação ao que o país precisa, está correto.
Mas daí vem a questão: é só isso? Não digo que a intenção seja boa. Se trata de uma propaganda de uma patrocinadora oficial da Copa do Mundo de 2014. Há muito dinheiro envolvido. MUITO! Esse é o viés óbvio e mercadológico. Aos que não assistiram televisão nos, sei lá, últimos 50 anos, as coisas tem sido assim mesmo. Acostume-se.
Mas vamos ver a mensagem com calma. Ela diz: “Vamos jogar bola”. Mas em seguida, dá uma definição para o que a propaganda entende como “jogar bola”. “Jogar bola é ir em frente, é arregaçar as mangas”. Ou seja, já aí está oculta uma mensagem, que indica que “jogar bola” nesse contexto tem algum significado além. Daí não quero continuar analisando cientificamente o restante. Vamos pra onde quero chegar.
Primeiro, acho que a propaganda só foi usada por um bando de pseudo-intelectuais para falar o óbvio: do que o país precisa, do como deveria ser, do que acham, chamar os jogadores de burros, e chamar o povo de incompetente. Discurso Tradicional. Normal. Comum. Mas e o Como? E o sobre o jeito do que temos feito? Isso não vem ao caso para eles. O que precisamos é de gente competente, sabia? Papagaios, não.
Acho que sim, precisamos mesmo jogar bola. Aposto que muitos dos que criticaram a propaganda, jogam bola de vez em quando para relaxar a cabeça. Mas esses podem: estudados, evoluídos… esses não estarão sendo dominados e controlados por uma propaganda do demo que quer fazer com que você não saia de casa e fique só se preocupando em gritar Gol… manipulados, todos nós. Aliás, o discurso rebelde pula da propaganda. No dia em que a vi pela primeira vez, já sabia onde daria. Não deu em outra. Menos manipulados? Não houve discussão? Sou o do contra então! Prefiro isso, discussão. Há tanta burrice quando ser manipulado é ser manipulado e se acha que está salvando o mundo. Coitados…
Jogando bola, a gente se diverti, se exercita, relaxa. Agora, pra quem morou onde não há opções de lazer, nasceu, assim como eu, na margem da sociedade topetuda que bate no peito e chama o povo de burro, devemos sim jogar bola! Do que adianta lutarmos? Somos peixes tão pequenos. Tudo bem que “juntos teríamos força para mudarmos o mundo” e todo aquele senso comum de boteco. Mas até para isso precisaríamos ter a cabeça fresca. Uma coisa não exclui a outra. A gente precisa de dinheiro. Precisa de arte. Cultura. Precisa de uma revolução para derrubar nossos governantes filhos da puta. Mas enquanto isso, vamos em frente. O mundo precisa de ludicidade. A vida é bela. Lembra? Em meio à guerra, o lúdico. Enquanto a tal elite intelectual topetuda e hipócrita não faz, enquanto a gente não faz, enquanto as coisas acontecem tropicantes, não crie preocupações. #vamosjogarbola! Ou #morrerdecâncer!
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